Arquivo do mês: agosto 2011

Acham que ciclista é vagabundo, que quer mudar o mundo. Na verdade, o primeiro mundo que ele quer mudar, é o mundo próprio!

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Arquivado em Cicloativismo, Mobilidade

Episódio de hoje: você não pode parar a bike aqui

Hoje tinha tudo pra ser uma noite boa.

Logo no início, quando aguardava um amigo meu, que por sinal está começando a pedalar agora, escuto uma buzina de bike e vejo um ciclista se aproximando.

Poucos segundos depois, percebo que ele havia estudado na mesma escola que eu.
Depois de 6 anos (ou mais, pois minha memória não é tão boa), encontro um cara que era de uma turma acima da minha, e que na época de escola costumava não se dar muito bem com a galera da minha sala. Aquelas briguinhas de turma mais velha com turma mais nova.

Conversamos por um tempo, e ele disse que assim como eu, frequenta a Bicicletada e pedala pro trabalho todos os dias.

Mais um amigo que agregamos no nosso bonde!

Se fosse só isso, a noite seria muito boa, maaaas, como nada é perfeito, uma recepção calorosa de um segurança do McDonald’s acabou me deixando um pouco emputecido.

Eu e meu amigo resolvemos ir até o Shopping Bourbon (conhecido dos ciclistas pela falta de hospitalidade, que parece estar mudando gradativamente).

Chegando lá, como já era tarde, resolvemos parar no McDonald’s que fica ao lado do shopping.

Entramos sem pedalar, e achamos um poste de luz. Local perfeito pra parar as

Poste referido (ao lado da árvore)

bikes, pois não atrapalharia pedestres, muito menos o fluxo de carros do drive-thru. Respeitamos até as plantas que estavam no canteiro (pelo menos elas não reclamaram!).

Percebemos que os seguranças nos viram entrar, encontrar o local, posicionar as bikes, colocar os cadeados, e não falaram nada!

Quando terminamos de colocar os cadeados, um dos seguranças veio correndo e começou a gritar: Oooow, ooow, não pode estacionar a bike aí não!
Tomei um susto, pois pensei que não havia problemas.
Logo depois dessa abordagem um tanto quanto grosseira, ele tentou amenizar a situação sendo um pouco gentil.
É aquela famosa situação em que você toma um soco e logo depois a pessoa vem colocar gelo no lugar.

Quando questionei o motivo de não poder parar ali, ele disse: Ahhh, ordem da gerência!
Perguntei novamente o motivo, pois como disse, não atrapalhava ninguém, e obtive a mesma resposta.
Acabei acatando o pedido, pois estava com fome e se era realmente uma norma da casa (meio descabida), ou você respeita, ou da meia volta e vai embora, caso não concorde.

Logo depois ele me indicou um lugar pra parar as bikes, e não me deu chances de perguntar se poderíamos parar em um local mais apropriado.

O local indicado era atrás de umas motos, na entrada do McDonald’s.

Local indicado pelo segurança para estacionarmos as bikes

Ele simplesmente pediu para que parássemos lá, e que prendêssemos as bikes no portão.
Tivemos que nos esgueirar por trás das motos, para arrumarmos uma brecha atrás delas.

Não estava completamente cheio, mas eu pergunto: e se estivesse? Pararíamos em que lugar?
Teríamos que dar meia volta, mesmo havendo a possibilidade de parar em outros locais?
Outra questão: e se as nossas bicicletas fossem danificadas pelo dono de alguma moto que ali se encontrava, tendo em vista o curto espaço de distância entre a roda traseira da moto e as bikes? O estabelecimento agiria como?

Moral da história: fomos tratados inicialmente de forma hostil pelo segurança, ele não conseguiu nos informar o motivo de não podermos parar ali, e ainda nos indicou um lugar que, dependendo da quantidade de motos estacionadas, fica impossível parar uma bicicleta, que dirá duas ou mais.
Falta de estrutura para recepcionar um ciclista, falta de informação e uma recepção que não atrai consumidor nenhum.
O que é uma pena, pois aquele pelo que sei, é um dos primeiros McDonald’s de rua de São Paulo, e um dos primeiros que frequentei.
O problema não foi só a obrigatoriedade em pararmos as bikes em um lugar descabido, mas a falta de preparo por parte do estabelecimento em receber um ciclista.

Mandarei uma carta à gerência relatando o ocorrido, e pedindo pelo menos uma justificativa do motivo de não poder parar no local que gostaríamos, e que os responsáveis pela segurança os instrua, para que os mesmos melhorem o tratamento em relação ao ciclista.

Se quiserem comer algo naquela região, sugiro que parem no bicicletário do Bourbon e comam lá dentro. Pelo menos a recepção é melhor e o desencontro de informações é menor!

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