Trinta Segundos Para Marte

Fala rapaziada, tudo tranquilo?

Hoje na verdade não postarei nada em específico, e sim, recomendarei um videoclipe que já tinha visto, mas que acabei não recomendando a ninguém por pura falta de memória.

O videoclipe é da banda Thirty Seconds To Mars, se chama Kings and Queens, e mostra um mar de ciclistas pedalando uniformemente.
Sem dúvida alguma, vale a pena ser visto!

Se você não gostar do som, ainda terá uma grande chance de gostar das imagens, que para um leigo como eu, são fenomenais!

Até o próximo post!

Ps: A bike do índio que aparece no videoclipe é maior que a do Galo!

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Sinal de status, extensão da casa ou meio de locomoção?

Quando comecei a andar de bicicleta e ler matérias sobre mobilidade urbana, sustentabilidade e assuntos conexos, a primeira pergunta que fiz a mim mesmo foi: será que carro é tão importante assim?

Cheguei a uma conclusão um tanto quanto óbvia, porém, completamente inviável para pessoas que não estão dispostas a mudar, independentemente do motivo.

Sei que algumas pessoas que estão lendo isso vão falar que eu não tenho nada mais interessante para fazer (e de fato não tenho), ou que isso não passa de uma idéia tecnocrata barata, mas mesmo assim, acho interessante escrever a respeito, nem que seja para proporcionar um breve momento de reflexão.

Segundo dados de pesquisas recentes, o paulistano passa em média três horas por dia no trânsito.

Se você acha pouco três horas parado num trânsito infernal, faça as contas e veja quantas horas você perde em um ano!

Isso se dá por vários fatores, como por exemplo o crescimento ilógico de São Paulo, onde uma pessoa acaba percorrendo vários quilômetros para ir de sua casa ao trabalho.
É aquele famosa história da cidade que não foi bem planejada, simplesmente cresceu.

Outro fator que colabora significativamente é a quantidade absurda de carros que circulam pelas ruas de nossa cidade.

É impressionante como o paulistano ama o seu carro. É algo até difícil de acreditar.

Desde novos somos condicionados a gostarmos de carro.

O que é a primeira coisa que um adolescente faz ao completar 18 anos?
Tira a sua tão desejada carta!
Faz isto pois em sua mente, carro significa status, significa comodidade, significa o passaporte para a livre locomoção e liberdade (e ocorre justamente o contrário, espertalhão!).

Carro de mulher (não estou sendo machista).

Quantos de nós presenciamos cenas em que a motorista vizinha passa lápis no olho enquanto aguarda o farol abrir?
E o que dizer então do rapaz que estuda em plena 23 de maio, aguardando aquela fila interminável de veículos andar alguns metros?
E quantos de nós nunca fizemos algo parecido?

Passamos tantas horas no trânsito que o incorporamos em nosso dia-a-dia.

Achamos a coisa mais normal do mundo ficarmos parados horas e horas, e para passar esse tempo, realizamos atividades dentro do carro para amenizarmos o tempo perdido.

Já reparou também que a maioria dos carros estão ocupados por uma única pessoa?

Agora eu pergunto: será que o carro é realmente um veículo que de fato tem como objetivo se locomover, ou esse seu objetivo principal acabou sendo desvirtuado pela realidade de São Paulo, se tornando assim um sinal de status ou extensão da casa do indivíduo?

Digo isto pois a sua finalidade principal, que seria se locomover, passou a ser deixada de lado, já que a locomoção em São Paulo está ficando cada dia mais difícil.

É claro que não sou maluco em dizer que carro não é importante. Longe de mim!

O que questiono é: o veículo tem toda esta importância que damos a ele, ou se o mesmo nada mais é do que um meio de locomoção importante, mas por várias vezes passível de substitução por outro meio de locomoção?

Tente pelo menos duas vezes por semana substituí-lo por metro, ônibus, bicicleta, ou qualquer outro meio de locomoção menos prejudicial no tocante a (falta de) mobilidade.

Se realmente não der para abrir mão do carango, tente descobrir se algum conhecido ou amigo vai para o mesmo lugar, ou algum local próximo ao seu destino final e lhe de carona (dividindo a gasolina, claro!). Vai ajudar bastante!

O que não cola mais hoje em dia é dizer que não existem substitutos para o carro. Já virou desculpa de preguiçoso, né?!

Repensem suas atitudes!

É isso ae galera. Até o próximo post!

(Clique aqui para ler o post no blog do Milton Jung sobre a relação da Síndrome de Estocolmo e São Paulo. Se trata de um assunto conexo ao post de hoje. Recomendo!)

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Arquivado em Bike, Cicloativismo, Mobilidade

A bicicleta que não gostaríamos de ver

Certas coisas  poderiam simplesmente não existir. Uma delas faz parte do post de hoje.

Sei que a frase mencionada acima é de certa forma uma utopia (vocês entenderão melhor ao final do post), porém, não custa sonhar né?!

Você que está aí sentado lendo este post, já se deparou com bicicletas pintadas de branco em algum canto da cidade?
Se a resposta for sim, por um acaso você chegou a pensar o que ela representa?
Infelizmente, coisa boa não é.

Estas bicicletas pintadas de branco, e por muitas vezes com flores e fotos ao redor, leva o nome de “ghost bike”, ou, na tradução literal, “bicicleta fantasma”.

Elas simbolizam o local em que algum ciclista faleceu, em decorrência de atos que se tornaram comuns em nosso trânsito.

Estas bicicletas se tornam uma espécie de memorial, deixando no local uma homenagem ao ciclista vitimado.

Em uma analogia clara e simples, estas bicicletas podem ser comparadas, ao meu modo de ver, com aquelas cruzes e pequenos altares que encontramos em estradas, tendo basicamente a mesma finalidade que a “bicicleta fantasma”, ou seja, lembrar de forma singela a vítima, e além disso, no caso das bicicletas, mostrar ao público a consequência de “fatalidades” ou atos impensados causados por motoristas de veículos automotores.

Como bem sabemos, é utilizado pela maioria das pessoas o carro como meio principal de locomoção para percorrer qualquer distância, sendo ela considerável ou não.

Ao longo do percurso, o engarrafamento se torna presente na maioria das vezes, tornando assim o deslocamento, obviamente, mais demorado, e por conseqüência mais estressante, sendo este um dos motivos principais que ocasionam as “fatalidades” que presenciamos em nosso cotidiano.

Pesquisas recentes apontam que a cada cinco dias um ciclista morre em São Paulo, em decorrência de “acidente” de trânsito.
Pra se ter uma idéia da proporção disso tudo, em 2007 foram registradas mais de 83 mortes.

Um exemplo claro que acabou fazendo parte desta estatística lamentável foi Márcia Regina de Andrade Prado, que como mencionado no post anterior, faleceu depois de ter sido atropelada por um ônibus na Avenida Paulista.

Para evitar este tipo de “fatalidade”, uma das formas mais eficazes seria a conscientização de todas as pessoas, que de forma direta ou indireta façam parte do trânsito, tendo como objeto principal a conscientização dos motoristas de veículos, causadores da maior parte dos “acidentes” relacionados a ciclistas e pedestres.

A Bicicletada já vem fazendo isso, porém, seria interessante uma atuação mais aguda do Poder Público (este é um dos motivos que tornam a primeira frase do post uma utopia) neste sentido.

É de cortar o coração quando encontro alguma “bicicleta fantasma” nas ruas de São Paulo.
Pensar que ali existia uma vida, que aquela pessoa tinha sonhos e objetivos, que poderia estar voltando do trabalho e que sua  família o aguardava ansiosamente, mas por um ato, na maior parte das vezes impensado, acabou tendo sua vida ceifada.

Será que só eu penso assim?
Será que o motorista do ônibus que atropelou Márcia Prado tinha como única preocupação ultrapassá-la para ganhar alguns minutos em seu percurso?

Sinceramente,  quero acreditar que não.

Faço a minha parte para tentar mudar esta história que sempre acaba com um final nada feliz, e torço todos os dias para não encontrar mais “bicicletas fantasmas” pelas ruas da cidade, e nem me tornar parte desta estatística.

Repensem suas atitudes no trânsito e lembrem-se: ciclista é mais frágil que carro, e assim como você, tem uma família que o aguarda em casa.

Obs: Fuçando em alguns sites e blogs, acabei encontrando uma iniciativa interessante (produção independente – pra variar), onde os idealizadores buscavam arrecadar fundos para a realização de um filme que leva como tema o assunto abordado neste post, e pelo que me parece, já conseguiram seu objetivo.
Clique aqui para ver o vídeo e saber mais sobre o projeto.

Até o próximo post rapaziada!

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Cicloturismo e ideologia (ou vice-versa)

Antes de qualquer coisa, peço desculpas por ter me ausentado.
Faz realmente um bom tempo que não dou as caras por aqui, mas juro que não foi por preguiça ou coisa parecida, e sim, falta de tempo mesmo.

Tenho que confessar que também estava sem idéias para algum post, mas fuçando aqui nos meus arquivos esquecidos, acabei  encontrando umas fotos de uma viagem que fiz (não me recordo o dia, mas foi no mês de dezembro de 2009).

A viagem, na verdade, era um evento (pelo que pude notar, foi bem planejado pelos idealizadores), e tinha como nome “Rota Cicloturística Márcia Prado”.

Para quem não sabe, Márcia Prado participava do movimento Bicicletada paulistana, e era cicloativista.
Infelizmente, no dia 14 de janeiro de 2009, Márcia Prado faleceu em decorrência de um acidente que, para variar, o protagonista principal foi um veículo automotor e o seu condutor.
Este acidente ocorreu em plena Avenida Paulista, onde se encontra uma ghost bike (bicicletas pintadas de branco, que simbolizam o local onde o ciclista faleceu – explicarei melhor em outro post).

A Rota Márcia Prado tinha como objetivo homenagear a cicloturista, com este feito inédito, ou seja, ter a autorização das autoridades para ir de São Paulo a Santos, passando pelo Parque da Serra do Mar.

Me lembro de poucas coisas (não sei o motivo, mas quando estou com fome e cansado, não presto atenção em nada), mas estas poucas coisas me fizeram ter a certeza que foi o melhor momento que passei com os meus amigos em cima de uma bike.

Tudo contribuiu para que aquele dia fosse um dos melhores para nós três.
Desde as paisagens a aventura em si (pensa que é fácil pedalar das 6h00  até as 15h30?).

Passamos fome no meio do caminho, frio, ficamos sujos de barro (era um barro estranho. Até hoje não saiu de vários componentes da minha bike, e nem da camiseta que eu usei no dia), mas quando chegamos ao local final da Rota, tudo valeu a pena.

Utilizamos até balsas no meio do caminho, e diga-se de passagem, foi a parte mais tranquila do passeio.

Balsa que utilizamos para atravessar alguma represa.

Não me arrependo de ter passado por todas as dificuldades, pois realmente valeu a pena percorrer este caminho e conhecer pessoas com os mesmos ideais que os nossos.

O único conselho que dou é: compre um banco bom, pois se você tiver um banco de qualidade duvidável como o meu, seus ossos e músculos irão doer por um tempo.

Agora vamos esperar e torcer para que este evento se repita e melhore a cada edição, para ter a mesma força que tinha a mulher que deu o nome a ele.

Até mais galera.
Nos vemos pedalando por aí!

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Hora do Planeta 2010

Você sabe o que significa o título do post?

Eu até então não sabia (ou não lembrava).

Hora do Planeta é uma iniciativa da WWF que busca, de forma simbólica, despertar a nossa consciência quando o assunto é aquecimento global.

Esta iniciativa surgiu em Sidney, na Austrália, mais precisamente em 2007, sendo que um ano após ao seu nascimento, 371 países participaram.

O Brasil iniciou a sua participação no ano passado, e pelo visto a moda pegou, pois, neste ano será repetido o que presenciamos (residências, monumentos, prédios públicos e vários outros locais apagaram suas luzes).

A cidade-sede nacional do evento foi escolhida, simmm, pra variar, o Rio de Janeiro (que fique claro que não tenho nada contra, nem a favor).

Há quem diga que isto não passa de um evento em que os gringos fingem que se preocupam com o planeta e depois usam seus carros poluindo por aí, e utilizando, claro, o ar condicionado.

Segundo informações que são passadas no site da iniciativa aqui no Brasil, para participar, a princípio, você deve se cadastrar para que eles possam depois saber quantas pessoas efetivamente apagaram a luz, e espalhar a notícia por aí.

Ta na hora do rush, ta na hora do rush!

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Sai da rua!!

Quantas vezes você escutou isso de algum motorista enfurecido por ter que dividir seu espaço com um ciclista?

Eu já perdi as contas de quantas vezes escutei isto de algum ignorante (no sentido de falta de informação), que simplesmente não suporta dividir o seu rico espaço com algum outro veículo que não seja automotor.

Escolhi este tema (direitos e deveres do ciclista) para ser o primeiro do blog, tema este que para os ciclistas é de comum conhecimento, mas por incrível que pareça, para os motoristas dos carangos é de quase completa desinformação.

Você sabe quais são os direitos e deveres de um ciclista?

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, ao ultrapassar um ciclista, o motorista deve guardar um metro e cinquenta centímetros de distância do mesmo. A infração é considerada como média, caso o motorista não guarde esta distância, e acarreta penalidade de multa.

Tudo isto se encontra no artigo 201.

Agora eu pergunto: É isso que você presencia todos os dias?

Além disso, como é possível o motorista saber se guarda um metro e cinquenta do ciclista, e como a autoridade responsável multará o espertinho?

Teria ele uma trena especial ou algum dispositivo que avisasse a ele a distância do carro?

Sinceramente, eu nunca vi nenhum motorista ser multado por isso. É praticamente impossível se aplicar este artigo.

Além disso, alguém já viu algum motorista ser multado por não ter reduzido a velocidade ao ultrapassar um ciclista?

O artigo 220, inciso XIII, nos diz que se não for reduzida a velocidade do veículo ao ultrapassar um ciclista, o motorista pode ser multado e se considera esta infração como grave.

O que mais nós vemos é motorista fechando ciclista, e com uma velocidade que não pode nem aqui e nem na China ser classificada como reduzida.

Ademais, você sabia que o ciclista, desmontado da bicicleta, acaba se equiparando ao pedestre em direitos e deveres?

Isto não é muito utilizado na prática, como de costume, mas também está previsto em lei.

Temos também o direito de andarmos pelos bordos da pista caso não haja ciclovia no local, tanto na direita, quanto na esquerda.

Até aí, tudo está muito bem, mas, e as obrigações do ciclista?

Segundo o que diz a lei, o ciclista deve ter em sua bicicleta uma campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

Vejo que muitos ciclistas estão começando a utilizar estes acessórios obrigatórios, inclusive o capacete que não teve espaço nesta lei.

Nós ciclistas, corremos até o risco de perdermos a nossa magrela e até levarmos uma multa!

Segundo a nossa lei de trânsito, se algum ciclista conduzir sua bike em passeios onde não se permite a circulação dela, ou de forma agressiva, a autoridade competente poderá remover a bicicleta e nos presentear com uma bela multa.

Qual a moral da história?

Infelizmente os direitos reservados aos ciclistas não são devidamente exercidos, ou por falta de uma estrutura pública efetiva que garanta isto a nós, ou por falta de conscientização dos próprios motoristas que se acham os donos da rua, mas quando se tornam pedestres a história acaba mudando, como no desenho que ilustra este post.

Independentemente de exercer seus direitos, cumpra com os seus deveres de ciclista, pois afinal, não adianta só reivindicar sem fazer a parte que lhe compete, né?!

Pra quem quiser saber mais sobre o Código Nacional de Trânsito Brasileiro e os deveres e direitos do ciclista, é só clicar aqui.

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Arquivado em Bike