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A bicicleta que não gostaríamos de ver

Certas coisas  poderiam simplesmente não existir. Uma delas faz parte do post de hoje.

Sei que a frase mencionada acima é de certa forma uma utopia (vocês entenderão melhor ao final do post), porém, não custa sonhar né?!

Você que está aí sentado lendo este post, já se deparou com bicicletas pintadas de branco em algum canto da cidade?
Se a resposta for sim, por um acaso você chegou a pensar o que ela representa?
Infelizmente, coisa boa não é.

Estas bicicletas pintadas de branco, e por muitas vezes com flores e fotos ao redor, leva o nome de “ghost bike”, ou, na tradução literal, “bicicleta fantasma”.

Elas simbolizam o local em que algum ciclista faleceu, em decorrência de atos que se tornaram comuns em nosso trânsito.

Estas bicicletas se tornam uma espécie de memorial, deixando no local uma homenagem ao ciclista vitimado.

Em uma analogia clara e simples, estas bicicletas podem ser comparadas, ao meu modo de ver, com aquelas cruzes e pequenos altares que encontramos em estradas, tendo basicamente a mesma finalidade que a “bicicleta fantasma”, ou seja, lembrar de forma singela a vítima, e além disso, no caso das bicicletas, mostrar ao público a consequência de “fatalidades” ou atos impensados causados por motoristas de veículos automotores.

Como bem sabemos, é utilizado pela maioria das pessoas o carro como meio principal de locomoção para percorrer qualquer distância, sendo ela considerável ou não.

Ao longo do percurso, o engarrafamento se torna presente na maioria das vezes, tornando assim o deslocamento, obviamente, mais demorado, e por conseqüência mais estressante, sendo este um dos motivos principais que ocasionam as “fatalidades” que presenciamos em nosso cotidiano.

Pesquisas recentes apontam que a cada cinco dias um ciclista morre em São Paulo, em decorrência de “acidente” de trânsito.
Pra se ter uma idéia da proporção disso tudo, em 2007 foram registradas mais de 83 mortes.

Um exemplo claro que acabou fazendo parte desta estatística lamentável foi Márcia Regina de Andrade Prado, que como mencionado no post anterior, faleceu depois de ter sido atropelada por um ônibus na Avenida Paulista.

Para evitar este tipo de “fatalidade”, uma das formas mais eficazes seria a conscientização de todas as pessoas, que de forma direta ou indireta façam parte do trânsito, tendo como objeto principal a conscientização dos motoristas de veículos, causadores da maior parte dos “acidentes” relacionados a ciclistas e pedestres.

A Bicicletada já vem fazendo isso, porém, seria interessante uma atuação mais aguda do Poder Público (este é um dos motivos que tornam a primeira frase do post uma utopia) neste sentido.

É de cortar o coração quando encontro alguma “bicicleta fantasma” nas ruas de São Paulo.
Pensar que ali existia uma vida, que aquela pessoa tinha sonhos e objetivos, que poderia estar voltando do trabalho e que sua  família o aguardava ansiosamente, mas por um ato, na maior parte das vezes impensado, acabou tendo sua vida ceifada.

Será que só eu penso assim?
Será que o motorista do ônibus que atropelou Márcia Prado tinha como única preocupação ultrapassá-la para ganhar alguns minutos em seu percurso?

Sinceramente,  quero acreditar que não.

Faço a minha parte para tentar mudar esta história que sempre acaba com um final nada feliz, e torço todos os dias para não encontrar mais “bicicletas fantasmas” pelas ruas da cidade, e nem me tornar parte desta estatística.

Repensem suas atitudes no trânsito e lembrem-se: ciclista é mais frágil que carro, e assim como você, tem uma família que o aguarda em casa.

Obs: Fuçando em alguns sites e blogs, acabei encontrando uma iniciativa interessante (produção independente – pra variar), onde os idealizadores buscavam arrecadar fundos para a realização de um filme que leva como tema o assunto abordado neste post, e pelo que me parece, já conseguiram seu objetivo.
Clique aqui para ver o vídeo e saber mais sobre o projeto.

Até o próximo post rapaziada!

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