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Episódio de hoje: você não pode parar a bike aqui

Hoje tinha tudo pra ser uma noite boa.

Logo no início, quando aguardava um amigo meu, que por sinal está começando a pedalar agora, escuto uma buzina de bike e vejo um ciclista se aproximando.

Poucos segundos depois, percebo que ele havia estudado na mesma escola que eu.
Depois de 6 anos (ou mais, pois minha memória não é tão boa), encontro um cara que era de uma turma acima da minha, e que na época de escola costumava não se dar muito bem com a galera da minha sala. Aquelas briguinhas de turma mais velha com turma mais nova.

Conversamos por um tempo, e ele disse que assim como eu, frequenta a Bicicletada e pedala pro trabalho todos os dias.

Mais um amigo que agregamos no nosso bonde!

Se fosse só isso, a noite seria muito boa, maaaas, como nada é perfeito, uma recepção calorosa de um segurança do McDonald’s acabou me deixando um pouco emputecido.

Eu e meu amigo resolvemos ir até o Shopping Bourbon (conhecido dos ciclistas pela falta de hospitalidade, que parece estar mudando gradativamente).

Chegando lá, como já era tarde, resolvemos parar no McDonald’s que fica ao lado do shopping.

Entramos sem pedalar, e achamos um poste de luz. Local perfeito pra parar as

Poste referido (ao lado da árvore)

bikes, pois não atrapalharia pedestres, muito menos o fluxo de carros do drive-thru. Respeitamos até as plantas que estavam no canteiro (pelo menos elas não reclamaram!).

Percebemos que os seguranças nos viram entrar, encontrar o local, posicionar as bikes, colocar os cadeados, e não falaram nada!

Quando terminamos de colocar os cadeados, um dos seguranças veio correndo e começou a gritar: Oooow, ooow, não pode estacionar a bike aí não!
Tomei um susto, pois pensei que não havia problemas.
Logo depois dessa abordagem um tanto quanto grosseira, ele tentou amenizar a situação sendo um pouco gentil.
É aquela famosa situação em que você toma um soco e logo depois a pessoa vem colocar gelo no lugar.

Quando questionei o motivo de não poder parar ali, ele disse: Ahhh, ordem da gerência!
Perguntei novamente o motivo, pois como disse, não atrapalhava ninguém, e obtive a mesma resposta.
Acabei acatando o pedido, pois estava com fome e se era realmente uma norma da casa (meio descabida), ou você respeita, ou da meia volta e vai embora, caso não concorde.

Logo depois ele me indicou um lugar pra parar as bikes, e não me deu chances de perguntar se poderíamos parar em um local mais apropriado.

O local indicado era atrás de umas motos, na entrada do McDonald’s.

Local indicado pelo segurança para estacionarmos as bikes

Ele simplesmente pediu para que parássemos lá, e que prendêssemos as bikes no portão.
Tivemos que nos esgueirar por trás das motos, para arrumarmos uma brecha atrás delas.

Não estava completamente cheio, mas eu pergunto: e se estivesse? Pararíamos em que lugar?
Teríamos que dar meia volta, mesmo havendo a possibilidade de parar em outros locais?
Outra questão: e se as nossas bicicletas fossem danificadas pelo dono de alguma moto que ali se encontrava, tendo em vista o curto espaço de distância entre a roda traseira da moto e as bikes? O estabelecimento agiria como?

Moral da história: fomos tratados inicialmente de forma hostil pelo segurança, ele não conseguiu nos informar o motivo de não podermos parar ali, e ainda nos indicou um lugar que, dependendo da quantidade de motos estacionadas, fica impossível parar uma bicicleta, que dirá duas ou mais.
Falta de estrutura para recepcionar um ciclista, falta de informação e uma recepção que não atrai consumidor nenhum.
O que é uma pena, pois aquele pelo que sei, é um dos primeiros McDonald’s de rua de São Paulo, e um dos primeiros que frequentei.
O problema não foi só a obrigatoriedade em pararmos as bikes em um lugar descabido, mas a falta de preparo por parte do estabelecimento em receber um ciclista.

Mandarei uma carta à gerência relatando o ocorrido, e pedindo pelo menos uma justificativa do motivo de não poder parar no local que gostaríamos, e que os responsáveis pela segurança os instrua, para que os mesmos melhorem o tratamento em relação ao ciclista.

Se quiserem comer algo naquela região, sugiro que parem no bicicletário do Bourbon e comam lá dentro. Pelo menos a recepção é melhor e o desencontro de informações é menor!

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Assassino hoje em dia usa carro como arma

Não tenho palavras para descrever o que esse motorista, que pra mim é um animal, fez com a galera da Massa Crítica de Porto Alegre.

Creio ser desnecessário meter a boca nesse homem escroto (se é que pode ser chamado de homem), pois as imagens deste vídeo falam por si.

Volto a frisar: o fato de você, motorista, pagar IPVA, não quer dizer que você é o dono da rua, e sim, que paga um imposto referente ao SEU veículo (IPVA significa Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).
A rua é feita para pessoas, e a bicicleta deve fazer SIM parte do trânsito, sendo que nós ciclistas também temos o direito de pedalar na rua e fazer parte do trânsito.

Atitude escrota, ridícula, sem sentido, assassina!

Antes de pensar em fazer algo como isso, pergunte-se: a minha pressa vale a vida de um terceiro?

Se quiser saber mais sobre a notícia, clique aqui.

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Revolta sem sentido ou inveja motivada?

Quem me conhece sabe muito bem que fico indignado com muitas coisas, e sou extremamente impulsivo em várias situações, mas esta que apresentarei, sem dúvida alguma, gerará um sentimento de revolta misturado com uma repulsa enorme em cada um de vocês, independentemente de andarem de carro, bicicleta, ou qualquer outro meio de transporte em São Paulo.

O nome do fato que me gerou este sentimento péssimo se chama Barbara Gancia.

Em seu último post, Barbara coloca algumas palavras que acabam ofendendo não só a quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, mas também a todas as pessoas que pensam de forma contrária a dela, ou seja, que tenham um pensamento mais aberto e evoluído.

Sinceramente, fico me perguntando o motivo de tanta revolta em seu coração.

Não sei se ela tem raiva especificamente da Renata Falzoni e acabou estendendo a todas as pessoas que pensam e lutam como ela, ou se ela tem inveja de indivíduos como eu que tem a felicidade de pedalar e serem livres de fato.

Fico extremamente chateado quando leio algo do tipo, e mais chateado ainda quando isso parte de uma pessoa que tem instrução, que tem uma coluna em um jornal importante de São Paulo, que querendo ou não, é uma formadora de opiniões.

Ler coisas como “mauricinhos se juntam para pedalar à noite e atravancam os faróis como se fossem donos do mundo”, ou entao “outra noite, na frente de um restaurante japa, tive de ouvir de um ciclista desses: “Vai acabar essa moleza! Cigarro e bebida têm os dias contados!” Pensei comigo: “E você vai cair daí e quebrar todos os dentes, seu nazista”, faz com que eu desenvolva um sentimento de revolta, mas o sentimento que predomina em mim é o de pena.
Pena de uma pessoa que pensa pequeno, e provavelmente deve achar que o lugar de bicicleta é em parque ou calçada.

Não sou mauricinho, muito pelo contrário. Ando de bicicleta e prego o uso dela no dia-a-dia pois realmente acredito que a mesma é realmente uma alternativa para o nosso trânsito, e para a melhoria da qualidade de vida de quem pedala.

Para ela (Barbara), o trânsito não a incomoda. O maior problema não são os CARROS, mas sim as PESSOAS que atravancam o farol e a passagem dela.

É meio inconcebível para mim a idéia de que as ruas foram feitas exclusivamente para carros. Dá-se prioridade a veículos automotores e esquecem das pessoas que fazem parte do trânsito.

Alguns blogueiros disseram que não se importam com o que ela pensa. Eu me importo e MUITO, pois se mais pessoas começarem a pensar como ela, São Paulo parará no tempo, e ela ficará presa em seu carro no trânsito, literalmente.

E Barbara, conselho de amigo: Tire essa raiva de seu coraçãozinho e tente pedalar por Sampa (mesmo dizendo que sempre pedalou). Você descobrirá uma nova cidade, completamente diferente da cidade que conheceu andando de carro.
Já ia quase me esquecendo. Recomendo-lhe também um post meu, quem sabe lendo esse post você pense mil vezes antes de proferir palavras agressivas e indelicadas como fez em seu blog.

Para quem quiser ler o post dela, é só clicar aqui.

Deixa eu ir embora pois já está na hora do rush!

Até mais rapaziada! Tchau!

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Sai da rua!!

Quantas vezes você escutou isso de algum motorista enfurecido por ter que dividir seu espaço com um ciclista?

Eu já perdi as contas de quantas vezes escutei isto de algum ignorante (no sentido de falta de informação), que simplesmente não suporta dividir o seu rico espaço com algum outro veículo que não seja automotor.

Escolhi este tema (direitos e deveres do ciclista) para ser o primeiro do blog, tema este que para os ciclistas é de comum conhecimento, mas por incrível que pareça, para os motoristas dos carangos é de quase completa desinformação.

Você sabe quais são os direitos e deveres de um ciclista?

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, ao ultrapassar um ciclista, o motorista deve guardar um metro e cinquenta centímetros de distância do mesmo. A infração é considerada como média, caso o motorista não guarde esta distância, e acarreta penalidade de multa.

Tudo isto se encontra no artigo 201.

Agora eu pergunto: É isso que você presencia todos os dias?

Além disso, como é possível o motorista saber se guarda um metro e cinquenta do ciclista, e como a autoridade responsável multará o espertinho?

Teria ele uma trena especial ou algum dispositivo que avisasse a ele a distância do carro?

Sinceramente, eu nunca vi nenhum motorista ser multado por isso. É praticamente impossível se aplicar este artigo.

Além disso, alguém já viu algum motorista ser multado por não ter reduzido a velocidade ao ultrapassar um ciclista?

O artigo 220, inciso XIII, nos diz que se não for reduzida a velocidade do veículo ao ultrapassar um ciclista, o motorista pode ser multado e se considera esta infração como grave.

O que mais nós vemos é motorista fechando ciclista, e com uma velocidade que não pode nem aqui e nem na China ser classificada como reduzida.

Ademais, você sabia que o ciclista, desmontado da bicicleta, acaba se equiparando ao pedestre em direitos e deveres?

Isto não é muito utilizado na prática, como de costume, mas também está previsto em lei.

Temos também o direito de andarmos pelos bordos da pista caso não haja ciclovia no local, tanto na direita, quanto na esquerda.

Até aí, tudo está muito bem, mas, e as obrigações do ciclista?

Segundo o que diz a lei, o ciclista deve ter em sua bicicleta uma campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

Vejo que muitos ciclistas estão começando a utilizar estes acessórios obrigatórios, inclusive o capacete que não teve espaço nesta lei.

Nós ciclistas, corremos até o risco de perdermos a nossa magrela e até levarmos uma multa!

Segundo a nossa lei de trânsito, se algum ciclista conduzir sua bike em passeios onde não se permite a circulação dela, ou de forma agressiva, a autoridade competente poderá remover a bicicleta e nos presentear com uma bela multa.

Qual a moral da história?

Infelizmente os direitos reservados aos ciclistas não são devidamente exercidos, ou por falta de uma estrutura pública efetiva que garanta isto a nós, ou por falta de conscientização dos próprios motoristas que se acham os donos da rua, mas quando se tornam pedestres a história acaba mudando, como no desenho que ilustra este post.

Independentemente de exercer seus direitos, cumpra com os seus deveres de ciclista, pois afinal, não adianta só reivindicar sem fazer a parte que lhe compete, né?!

Pra quem quiser saber mais sobre o Código Nacional de Trânsito Brasileiro e os deveres e direitos do ciclista, é só clicar aqui.

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